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Cenário de guerra no Grajaú: duas semanas após ventania histórica, bairro sofre com abandono e calçadas bloqueadas

Enquanto o fornecimento de energia elétrica se normalizou no Rio, moradores da Zona Norte enfrentam montanhas de galhos, sujeira acumulada e descaso dos serviços públicos.

Redação
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Equipe Editorial
11 de agosto de 2026 - Atualizado em 27 de agosto de 2026
Ruas do Grajaú estão tomadas por galhos, folhas e outros detritos. Foto: redação
Ruas do Grajaú estão tomadas por galhos, folhas e outros detritos. Foto: redação

Rio de Janeiro — Duas semanas após a ventania histórica que atingiu a cidade do Rio de Janeiro no último dia 29 de julho — derrubando centenas de árvores e deixando milhares de pessoas sem luz —, a rotina na maior parte da capital fluminense começa a se restabelecer. Hoje, 11 de agosto, a situação do fornecimento de energia elétrica parece ter voltado ao normal, mas no bairro do Grajaú, na Zona Norte, o cenário ainda é de guerra.

Apesar do restabelecimento do serviço elétrico, boa parte das ruas do bairro ainda tem suas calçadas e canteiros praticamente intransitáveis devido ao enorme acúmulo de galhos e folhas que não foram recolhidos pela Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) desde o dia do temporal. Para piorar a situação, nesses locais acumulados, transeuntes têm depositado lixo doméstico e entulhos, tornando o quadro sanitário e de mobilidade urbana ainda mais grave.

Equipe percorre o bairro e constata o descaso

A equipe do portal percorreu diversas ruas do Grajaú no dia de ontem, 10 de agosto, e constatou de perto a gravidade da situação em que se encontram os pedestres da região.

Principais ruas vistoriadas pela reportagem:

  • Rua Borda do Mato: Árvores e galhos partidos obstruem os passeios, além de apresentarem riscos à fiação elétrica local.
  • Rua Canavieiras: Grande quantidade de folhas e restos vegetais acumulados nas calçadas e sarjetas, atraindo o descarte irregular de lixo por pedestres.
  • Rua Araxá: Canteiros e calçadas tomados por vegetação em decomposição, forçando moradores a caminharem pelo meio da pista de rolamento.
  • Avenida Júlio Furtado: Montanhas de galhos secos impedem a livre circulação de idosos e cadeirantes ao longo da via.

Moradores denunciam falta de atendimento no 1746 e negligência crônica

A indignação entre os residentes é generalizada. As solicitações feitas aos canais oficiais da Prefeitura do Rio de Janeiro parecem não gerar resultados práticos, aumentando o sentimento de abandono na Zona Norte.

Relatos de perigo iminente e falta de manutenção

Uma moradora da região desabafou sobre a tentativa frustrada de obter auxílio das autoridades locais:

"Abri diversos chamados no 1746 e colhi vários protocolos de atendimento, mas ninguém nunca apareceu para solucionar o problema. Relatei inclusive um galho de árvore que quebrou na rua Borda do Mato e está pendurado nos fios, perigando cair nos moradores e pedestres."

Outro residente pontuou que a falta de varrição e limpeza no bairro é um problema crônico que antecede a tempestade do mês passado, citando a situação de sua rua:

"Na rua Alexandre Calaza, vejo garis 2 ou 3 vezes ao ano. A única coisa que eles fazem é varrer as folhas para um canto, sem coletar com sacola plástica. No primeiro vento, espalha tudo de novo."

Revolta nas redes sociais expõe contraste regional

O transtorno vivenciado pelos moradores do Grajaú extrapolou as ruas e ganhou forte repercussão na internet. Moradores utilizam grupos locais e redes sociais para publicar fotos da sujeira e questionar a igualdade na prestação de serviços públicos na cidade.

Em uma publicação bastante compartilhada, uma moradora questionou o sumiço dos garis e fez uma comparação com a manutenção realizada em outras regiões do Rio:

"Rua Grajaú está assim. Outras ruas na mesma situação. Não se varre mais o bairro? A Comlurb não existe mais? Será que na Zona Sul está assim?"

Nos comentários da postagem, outra moradora compartilhou um episódio surreal ocorrido ao abordar um funcionário da própria companhia de limpeza urbana municipal:

"Folha não varro, é natureza."

Linha do tempo da crise no Grajaú

Confira a cronologia dos fatos que culminaram na atual situação do bairro:

  1. 29 de julho: Ventania histórica atinge o Rio de Janeiro, derrubando centenas de árvores e interrompendo o fornecimento de energia elétrica.
  2. 1º a 9 de agosto: Concessionária de energia trabalha na recomposição da rede, mas acúmulo de vegetação caída permanece sem recolhimento pela Comlurb.
  3. 10 de agosto: Reportagem percorre as ruas Borda do Mato, Canavieiras, Araxá e Avenida Júlio Furtado, confirmando bloqueios e acúmulo de lixo.
  4. 11 de agosto: Oito dias após a tempestade, o fornecimento de luz se estabiliza, mas o Grajaú segue sem limpeza adequada e com calçadas intransitáveis.
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