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Megaobra no antigo complexo do Banco do Brasil no Andaraí gera queixas de sujeira e risco sanitário

Moradores da Rua Barão de São Francisco denunciam acúmulo de água parada e desordem no canteiro de obras do antigo CARJ, terreno de 40 mil m² que dará lugar a condomínio com mais de 2,4 mil apartamentos.

Redação
Redação
Equipe Editorial
12 de outubro de 2026

A promessa de revitalização de um dos endereços mais emblemáticos da Zona Norte do Rio de Janeiro tem vindo acompanhada de transtornos cotidianos e apreensão sanitária. Vizinhos da Rua Barão de São Francisco, nº 177, no Andaraí — colado ao Shopping Boulevard e na divisa com Vila Isabel —, vêm relatando problemas frequentes de sujeira na via, descarte irregular de entulho e, de forma mais crítica, poças de água parada decorrentes das intervenções no canteiro de obras.

Vizinhança em alerta contra a proliferação de mosquitos

Com o avanço dos maquinários pesados e a movimentação de terra, moradores de edifícios contíguos apontam que depressões no terreno e restos de estruturas expostas ao ar livre acumulam água pluvial após as chuvas, criando criadouros ideais para a reprodução do mosquito Aedes aegypti, vetor da dengue, zika e chikungunya.

"A poeira e o barro nas calçadas já complicam o dia a dia, mas a grande preocupação de quem vive ao lado do muro é o espelho d'água acumulado nas escavações. O calor associado às poças que não secam faz aumentar a presença de mosquitos na vizinhança quase que instantaneamente."

A situação acende um alerta antigo na região: antes do início das demolições pesadas, o espaço já vinha sendo alvo de queixas da comunidade local, que apontava infiltrações e alagamentos nos antigos pavimentos de subsolo durante o período em que o imóvel permaneceu fechado.

De 'bunker' corporativo ao abandono: a história do local

O terreno de cerca de 40 mil metros quadrados abrigou durante décadas o Centro Administrativo do Rio de Janeiro (CARJ) do Banco do Brasil. Construído nos anos 1970, o complexo contava com nove blocos maciços de concreto armado e servia como um polo de operações da instituição bancária.

A desocupação gradual ocorreu após o término de contratos e divergências na renegociação da área com o fundo imobiliário proprietário. Vazio em definitivo desde o início de 2023, o complexo enfrentou abandono temporário, registros de ocorrências de segurança pública e até princípio de incêndio, tornando urgente uma solução urbanística definitiva para o quarteirão.

A destinação: megacomplexo residencial de quase 2,5 mil unidades

O destino do imóvel foi selado para dar lugar a um megaprojeto habitacional assinado pelo escritório Sérgio Gattáss Arquitetos. As antigas torres corporativas dão espaço a um modelo multifamiliar planejado para transformar a dinâmica demográfica e econômica do bairro.

Panorama do novo empreendimento:

  • Área total do lote: aproximadamente 40.000 m²;
  • Capacidade habitacional: projeção para cerca de 2.450 apartamentos divididos em diferentes fases e condomínios;
  • Gabarito e estrutura: blocos residenciais de até 16 pavimentos, além de edificações complementares para lazer integrado e estacionamento;
  • Perfil das plantas: unidades tipo, compactas e opções garden voltadas aos públicos de classe média e projetos econômicos;
  • Localização estratégica: facilidade de acesso ao comércio vizinho, ao Boulevard Shopping e aos corredores viários das ruas Maxwell e Barão de Mesquita.

Medidas cobradas pela comunidade

Apesar de reconhecerem o impacto positivo da reocupação do terreno para a segurança e a valorização imobiliária do Andaraí, lideranças comunitárias e vizinhos cobram atuação mais rigorosa dos responsáveis pelo canteiro e dos órgãos públicos municipais.

  1. Drenagem e sucção imediata: bombeamento contínuo das águas pluviais acumuladas nas fundações e valas de contenção para impedir focos de larvas;
  2. Limpeza e lavagem do entorno: contenção de sedimentos e limpeza do pavimento da Rua Barão de São Francisco provocada pelo tráfego de caminhões;
  3. Vistorias dos órgãos reguladores: fiscalização regular pela Subprefeitura da Grande Tijuca e agentes da Vigilância Sanitária Municipal (Secretaria Municipal de Saúde) para aplicação de larvicidas e vistoria perimetral.

O equilíbrio entre a necessária transformação urbana e o respeito à saúde coletiva dos moradores do entorno segue como o principal desafio da intervenção no coração do Andaraí.

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