Moradores denunciam corte ilegal de árvore: até quando vamos permitir?
Colégio que irá se instalar no imóvel que fica na esquina das ruas Grajaú com Gurupi continua promovendo intervenções que impactam na natureza. Devemos ignorar o problema, só porque não se trata de mais uma farmácia?
A resposta é não. Embora os moradores do bairro estejam aliviados e gratos por este novo empreendimento não se tratar de uma farmácia - o que tem sido praticamente a regra nos últimos meses -, não podemos ignorar que as intervenções feitas na calçada da futura escola afetam de forma negativa os moradores e transeuntes do local. A remoção no último ano de uma enorme árvore centenária que ficava bem na esquina e trazia alívio nos dias de calor, além de ser morada de inúmeras espécies de pássaros e cenário de repouso de saguis, ouriços e gambás, gerou uma enorme repercussão e foi alvo de incontáveis críticas, além de questionamentos acerca da legalidade do ato.
Pouco mais de um ano depois, relatos de que outra árvore, menor e vizinha desta, tem sido alvo da remoção de suas raízes - que pode afetar a sua saúde e levar à sua morte precoce.
A remoção agressiva das raízes da árvore vizinha, citada pelos moradores, demonstra uma visão míope de urbanismo. Sem a sustentação e a nutrição adequadas, a planta entra em estresse hídrico e mecânico, tornando-se suscetível a pragas e quedas durante tempestades, o que acaba sendo usado, ironicamente, como justificativa para o seu corte total posteriormente.
Para o pedestre, o idoso que caminha pelo bairro ou a criança que irá frequentar a futura escola, a ausência de vegetação significa maior exposição à radiação UV e desconforto respiratório devido ao ar mais seco e poluído.
Enquanto governos discutem metas globais de emissão de carbono, a adaptação urbana é feita no chão da cidade. Cada árvore removida é uma ferramenta a menos na luta contra o aquecimento global. Árvores são os nossos "ares-condicionados naturais" mais eficientes; elas sequestram carbono e ajudam na permeabilidade do solo, prevenindo enchentes que se tornam mais comuns com o aumento das chuvas extremas causadas pela mudança climática.
Uma moradora que preferiu não se identificar contou ao nosso portal que já conversou com a responsável pela escola, que negou qualquer irregularidade e não se dispôs a dar maiores explicações ou exibir a autorização para o corte. Infelizmente, a falta de fiscalização do poder público e a conhecida falta de respeito do brasileiro pelas leis ambientais nos leva a enfrentar situações como esta sem amparo legal.
Se você tiver uma denúncia sobre podas, cortes ou derrubadas sabidamente ilegais ou com fortes indícios de ilegalidade, denuncie. Entre em contato conosco ou denuncie de forma anônima pela nossa ferramenta de denúncias em: https://grajaunoticias.com.br/reporter .
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