Professor preso por abuso infantil no Grajaú passa por audiência; Polícia investiga mais 5 vítimas
Cordovil Antônio Nogueira Martins, de 78 anos, já responde por crimes contra três crianças e pode ter feito ao menos oito vítimas entre 2020 e 2025.
O professor universitário e advogado Cordovil Antônio Nogueira Martins, de 78 anos, enfrenta uma nova audiência de instrução e julgamento na tarde desta segunda-feira (3), na Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente da Capital (Veca), do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Preso preventivamente desde março de 2026, o réu é acusado de abusar e explorar sexualmente crianças e adolescentes na Zona Norte do Rio.
Novas apurações da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav) indicam que o alcance das ações do acusado pode ser consideravelmente maior do que o registrado no início das investigações. A Polícia Civil apura se Cordovil fez pelo menos oito vítimas entre 2020 e 2025 — adicionando cinco novos casos às três vítimas já identificadas na época de sua prisão.
Abusos gravados e denúncia do Ministério Público
Em maio, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou o advogado à Justiça por três crimes. Entre as vítimas formalizadas no processo está uma criança de apenas 10 anos de idade. Imagens obtidas pela polícia mostram que o próprio acusado filmou os abusos cometidos contra a menor.
Segundo a denúncia do MPRJ, após conquistar a confiança das vítimas, o acusado praticava os abusos em sua própria residência, no bairro do Grajaú. Além dos crimes sexuais, ele registrava a conduta em fotos e vídeos, caracterizando exploração sexual e produção de material pornográfico, parte do qual era compartilhado.
Modus operandi: exploração da vulnerabilidade social
As investigações apontam que Cordovil utilizava sua posição como advogado e professor universitário para se aproximar de famílias em situação de vulnerabilidade. O aliciamento e a garantia do silêncio das vítimas ocorriam por meio de vantagens materiais e financeiras.
Entre os mecanismos utilizados pelo suspeito para atrair as jovens, a polícia destacou:
- Oferta de quantias em dinheiro e transferências bancárias (comprovadas por diversos prints anexados ao inquérito);
- Doação de lanches e refeições;
- Entrega de presentes diversos e telefones celulares.
Depoimentos das três primeiras vítimas identificadas levaram os investigadores aos nomes de outras adolescentes que frequentavam o imóvel do réu no Grajaú. Contudo, a Polícia Civil ressaltou que enfrenta dificuldades para intimar todas as jovens, uma vez que muitas residem em comunidades da região.
Mais de 8 mil arquivos e pedido de indenização
Durante a perícia no celular do acusado, agentes da Dcav encontraram mais de 8 mil arquivos contendo material de abuso sexual envolvendo crianças e adolescentes. O volume expressivo de registros reforça a suspeita das autoridades de que o número total de vítimas seja ainda maior.
Diante da gravidade dos fatos, o Ministério Público solicitou à Justiça a fixação de uma indenização mínima no valor de R$ 500 mil para cada vítima identificada no processo.
A Polícia Civil mantém as investigações em andamento e não descarta a identificação de novas vítimas do acusado.
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