Drogas, lixo e brigas inutilizam praça ao lado do Shopping Tijuca
Praça Luis La Saigne, que fica ao lado do shopping, virou moradia de moradores de rua e point de uso de drogas de entregadores de aplicativos.
Um espaço que deveria ser destinado ao lazer, à convivência e ao descanso dos moradores da Tijuca transformou-se em um cenário de medo, sujeira e degradação diária. A Praça Luis La Saigne, localizada ao lado do Shopping Tijuca, e a praça vizinha, que serve de passagem para o supermercado Mundial, estão praticamente inutilizadas pela população. Relatos contundentes de moradores da região apontam que o local foi tomado por uma rotina de consumo de drogas, acúmulo de entulho e conflitos violentos, afastando quem antes usufruía do espaço público.
O Cotidiano de Abandono e Insegurança na Região
Quem precisa circular pela área relata que o sentimento de insegurança é constante. A ocupação desordenada e o comportamento hostil de grupos que se apropriaram do espaço transformaram a dinâmica do bairro, criando barreiras invisíveis para os pedestres, especialmente os mais vulneráveis.
"Os moradores se sentem completamente acuados. É um espaço público que nos foi tirado pelo medo, pela sujeira e pela total falta de ordem urbana", desabafa um residente que preferiu não se identificar.
Os Principais Fatores de Degradação
- Ocupação das calçadas: População em situação de rua transformou a praça e toda a extensão da Rua Engenheiro Enaldo Cravo Peixoto em moradia, acumulando pertences pessoais, colchões e lixo nas calçadas e nos bancos públicos.
- Abordagens agressivas: Há relatos frequentes de moradores de rua que importunam menores de idade e idosos que tentam transitar pela região, gerando pânico em quem reside nos arredores.
- Consumo aberto de entorpecentes: A praça virou um ponto livre de consumo de drogas. Além dos frequentadores habituais, funcionários das lojas do shopping utilizam seus intervalos de trabalho para fumar maconha no local, ignorando a circulação de famílias.
O "Quartel General" dos Entregadores de Aplicativo
O ponto mais crítico e de maior tensão, segundo a vizinhança, envolve a concentração massiva de entregadores de aplicativos, que utilizam tanto bicicletas quanto motocicletas. A praça Luis La Saigne virou o ponto central de espera por chamadas da região, operando à revelia das regras básicas de convivência.
A rotina descrita pelos moradores expõe o nível de saturação e os abusos cometidos diariamente no espaço:
- Bloqueio de acessos: Dezenas de entregadores se espalham pelas escadarias da praça, obstruindo fisicamente a passagem e intimidando as pessoas que tentam acessar o local.
- Poluição sonora e violência: O ambiente é marcado por gritaria constante. Os entregadores frequentemente discutem e brigam entre si, gerando um clima de extrema tensão para quem passa por perto.
- Descarte de lixo e restos de comida: O consumo de refeições (quentinhas) é feito na própria praça, e os restos de comida são sistematicamente abandonados pelo chão ou em cima das mesas públicas, atraindo vetores e gerando mau cheiro.
Moradores cobram responsabilidade do Shopping Tijuca
Diante desse cenário, parte dos residentes locais argumenta que a degradação da área externa está diretamente ligada à falta de infraestrutura interna do próprio centro comercial. Para muitos, o Shopping Tijuca tem uma parcela significativa de responsabilidade no problema e deveria atuar ativamente para mitigá-lo.
"Se os entregadores e os próprios funcionários das lojas ficam na praça o dia inteiro, é porque o shopping não oferece um espaço adequado para eles trabalharem, descansarem e se alimentarem. O shopping deveria preparar uma área interna apropriada para essas pessoas ou, no mínimo, assumir a responsabilidade e ajudar com a manutenção, limpeza e vigilância da praça, já que o fluxo deles é gerado pelo próprio estabelecimento", cobra outro morador da região.
Perigo Fatal no Parcão e o Efeito Cascata na Região
A Praça Luis La Saigne conta com um "parcão", uma área cercada e destinada ao lazer de cães. No entanto, o descaso com a limpeza pública transformou o espaço em uma armadilha perigosa para os animais de estimação. Devido ao lixo deixado pelos entregadores, os cachorros frequentemente encontram e engolem restos de ossos de frango.
O consumo de ossos de galinha cozidos é altamente perigoso para os animais. Ao serem mastigados, os ossos se estilhaçam em pedaços pontiagudos que podem perfurar o estômago ou o intestino dos cães, causando hemorragias internas e lesões que podem ser fatais. Por conta desse risco e da hostilidade do ambiente, os donos de pets hoje têm medo de frequentar o parcão.
A situação de abandono se repete na praça menor, situada na passagem entre o Shopping Tijuca e o supermercado Mundial. Embora o local não possua uma área voltada para animais, sofre exatamente com o mesmo diagnóstico: sujeira, consumo de drogas, aglomerações e total falta de ordem. Encurralados pela degradação, os moradores da Tijuca assistem, impotentes, à perda de mais um espaço público para o descaso.
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