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Drogas, lixo e brigas inutilizam praça ao lado do Shopping Tijuca

Praça Luis La Saigne, que fica ao lado do shopping, virou moradia de moradores de rua e point de uso de drogas de entregadores de aplicativos.

Redação
Redação
Equipe Editorial
21 de maio de 2026 - Atualizado em 23 de maio de 2026
Parcão da Praça Luis La Saigne. Shopping Tijuca ao fundo.
Parcão da Praça Luis La Saigne. Shopping Tijuca ao fundo.

Um espaço que deveria ser destinado ao lazer, à convivência e ao descanso dos moradores da Tijuca transformou-se em um cenário de medo, sujeira e degradação diária. A Praça Luis La Saigne, localizada ao lado do Shopping Tijuca, e a praça vizinha, que serve de passagem para o supermercado Mundial, estão praticamente inutilizadas pela população. Relatos contundentes de moradores da região apontam que o local foi tomado por uma rotina de consumo de drogas, acúmulo de entulho e conflitos violentos, afastando quem antes usufruía do espaço público.

O Cotidiano de Abandono e Insegurança na Região

Quem precisa circular pela área relata que o sentimento de insegurança é constante. A ocupação desordenada e o comportamento hostil de grupos que se apropriaram do espaço transformaram a dinâmica do bairro, criando barreiras invisíveis para os pedestres, especialmente os mais vulneráveis.

"Os moradores se sentem completamente acuados. É um espaço público que nos foi tirado pelo medo, pela sujeira e pela total falta de ordem urbana", desabafa um residente que preferiu não se identificar.

Os Principais Fatores de Degradação

  • Ocupação das calçadas: População em situação de rua transformou a praça e toda a extensão da Rua Engenheiro Enaldo Cravo Peixoto em moradia, acumulando pertences pessoais, colchões e lixo nas calçadas e nos bancos públicos.
  • Abordagens agressivas: Há relatos frequentes de moradores de rua que importunam menores de idade e idosos que tentam transitar pela região, gerando pânico em quem reside nos arredores.
  • Consumo aberto de entorpecentes: A praça virou um ponto livre de consumo de drogas. Além dos frequentadores habituais, funcionários das lojas do shopping utilizam seus intervalos de trabalho para fumar maconha no local, ignorando a circulação de famílias.

O "Quartel General" dos Entregadores de Aplicativo

O ponto mais crítico e de maior tensão, segundo a vizinhança, envolve a concentração massiva de entregadores de aplicativos, que utilizam tanto bicicletas quanto motocicletas. A praça Luis La Saigne virou o ponto central de espera por chamadas da região, operando à revelia das regras básicas de convivência.

A rotina descrita pelos moradores expõe o nível de saturação e os abusos cometidos diariamente no espaço:

  1. Bloqueio de acessos: Dezenas de entregadores se espalham pelas escadarias da praça, obstruindo fisicamente a passagem e intimidando as pessoas que tentam acessar o local.
  2. Poluição sonora e violência: O ambiente é marcado por gritaria constante. Os entregadores frequentemente discutem e brigam entre si, gerando um clima de extrema tensão para quem passa por perto.
  3. Descarte de lixo e restos de comida: O consumo de refeições (quentinhas) é feito na própria praça, e os restos de comida são sistematicamente abandonados pelo chão ou em cima das mesas públicas, atraindo vetores e gerando mau cheiro.

Moradores cobram responsabilidade do Shopping Tijuca

Diante desse cenário, parte dos residentes locais argumenta que a degradação da área externa está diretamente ligada à falta de infraestrutura interna do próprio centro comercial. Para muitos, o Shopping Tijuca tem uma parcela significativa de responsabilidade no problema e deveria atuar ativamente para mitigá-lo.

"Se os entregadores e os próprios funcionários das lojas ficam na praça o dia inteiro, é porque o shopping não oferece um espaço adequado para eles trabalharem, descansarem e se alimentarem. O shopping deveria preparar uma área interna apropriada para essas pessoas ou, no mínimo, assumir a responsabilidade e ajudar com a manutenção, limpeza e vigilância da praça, já que o fluxo deles é gerado pelo próprio estabelecimento", cobra outro morador da região.

Perigo Fatal no Parcão e o Efeito Cascata na Região

A Praça Luis La Saigne conta com um "parcão", uma área cercada e destinada ao lazer de cães. No entanto, o descaso com a limpeza pública transformou o espaço em uma armadilha perigosa para os animais de estimação. Devido ao lixo deixado pelos entregadores, os cachorros frequentemente encontram e engolem restos de ossos de frango.

O consumo de ossos de galinha cozidos é altamente perigoso para os animais. Ao serem mastigados, os ossos se estilhaçam em pedaços pontiagudos que podem perfurar o estômago ou o intestino dos cães, causando hemorragias internas e lesões que podem ser fatais. Por conta desse risco e da hostilidade do ambiente, os donos de pets hoje têm medo de frequentar o parcão.

A situação de abandono se repete na praça menor, situada na passagem entre o Shopping Tijuca e o supermercado Mundial. Embora o local não possua uma área voltada para animais, sofre exatamente com o mesmo diagnóstico: sujeira, consumo de drogas, aglomerações e total falta de ordem. Encurralados pela degradação, os moradores da Tijuca assistem, impotentes, à perda de mais um espaço público para o descaso.

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